Dia Internacional da Mulher. Um dia de luta. Entre tantas batalhas, há uma que nos acompanha silenciosamente: como nos ensinam a enxergar o envelhecimento? Desde cedo, aprendemos a esconder o nosso envelhecimento. Rugas, fios brancos, mudanças no corpo são vistos como falhas. A indústria da juventude eterna movimenta bilhões, e a medicina reforça a ideia de que envelhecer precisa ser combatido. Mas e se a questão não fosse lutar contra o tempo, e sim encontrar formas mais respeitosas de atravessá-lo?

A história do filme “A Substância” pode até ser ficção, mas sabemos como se confunde com a realidade. Quantas não acreditaram ter encontrado a solução perfeita para o envelhecimento, mas não perceberam que tinha um custo alto demais? Quantas mulheres não se sentem pressionadas a parecer jovens para continuarem sendo vistas? Isso não significa romantizar o envelhecer. O tempo traz desafios reais. O corpo muda, a pele cede, a energia já não é a mesma. Para muitas mulheres, as mudanças chegam antes da velhice: ao gerar uma vida, ao lidar com alterações hormonais, ao ver o corpo se transformar. Para outras, vêm com o tempo, alterando ritmos, marcando a pele, mudando o que antes parecia imutável.

A Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030), promovida pela OPAS/OMS, propõe outro olhar: envelhecer não é um erro, é uma fase que precisa de suporte e acolhimento. Isso significa menos medicalização e mais cuidado real. Menos idealização e mais escuta, reconhecendo os desafios sem reduzi-los a um problema. Menos culpa e mais liberdade para que cada mulher decida como quer envelhecer sem a pressão de parecer o que não é.

Neste Dia da Mulher, fica o convite: como podemos ressignificar o envelhecimento? Como podemos lidar com as mudanças do tempo sem sermos reféns da juventude eterna, mas também sem ignorar os desafios que envelhecer traz? Toda fase da vida merece ser vivida com dignidade e respeito.

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